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Cuidado adaptado muda experiência de pacientes com autismo no Hospital de Santa Maria

Ambientes adaptados, menos estímulos e atendimento individualizado tornam o cuidado mais tranquilo

 

Para muitos pacientes com autismo, uma consulta médica pode representar mais do que um atendimento de rotina. Sons intensos, luzes fortes e ambientes imprevisíveis podem gerar desconforto, ansiedade e até impedir a continuidade do cuidado.

No Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), essa realidade começa a mudar com a adaptação dos espaços e uma abordagem construída a partir das necessidades de cada paciente.

Na unidade, o cuidado começa antes mesmo de qualquer procedimento. A equipe ajusta o ambiente e a forma de atendimento para evitar sobrecarga sensorial e garantir mais tranquilidade, especialmente para crianças. Luzes podem ser reduzidas, sons são controlados e o atendimento segue o ritmo de cada um.

As mudanças fazem parte de uma reorganização da assistência, que passou a priorizar previsibilidade, conforto e acolhimento. Ao longo dos últimos anos, fluxos, ambientes e condutas foram ajustados para tornar o serviço mais acessível e seguro.

Na odontologia, cada etapa é planejada de forma individualizada. Antes de iniciar o atendimento, os profissionais buscam entender a rotina, as preferências e as sensibilidades do paciente. A partir dessas informações, o espaço é adaptado e, sempre que possível, são utilizados instrumentos mais silenciosos.

Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, o equivalente a 1,2% da população

“Cada paciente reage de uma forma. Por isso, adaptamos tudo o que for necessário para garantir mais conforto. Às vezes, pequenas mudanças fazem toda a diferença para que o atendimento aconteça de forma tranquila”, relata o dentista Diego Sindeaux.

Estratégias simples também ajudam a criar vínculo e segurança. Aos 16 anos, Eduardo Figueiredo Martins encontrou uma forma de passar pelas consultas com mais tranquilidade: assistindo a desenhos animados durante o atendimento. A presença da televisão na sala contribui para reduzir a ansiedade e facilitar a realização dos procedimentos.

Para a mãe, Vivian Figueiredo Santana, o acolhimento faz diferença no dia a dia. “O atendimento aqui é maravilhoso, melhor que em todos os lugares por onde passamos. Fico muito tranquila em saber que meu filho está com profissionais preparados para atendê-lo”, conta.

Mensalmente, entre 28 e 30 pacientes são encaminhados ao serviço por meio do Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). A unidade também realiza atendimentos por demanda espontânea, principalmente em situações de urgência.

Comunicação

O cuidado no HRSM vai além do ambiente físico e se estende ao ambulatório de linguagem infantil, voltado a pacientes com dificuldades na comunicação, fala e compreensão. Entre os casos atendidos estão atraso no desenvolvimento da linguagem oral, dificuldade na expressão de ideias, trocas de sons na fala, gagueira e desafios no processo de leitura e escrita.

“Trabalhamos com terapias específicas para que o paciente consiga se expressar melhor. Cada plano é construído de forma individualizada”

Thayná Martins, fonoaudióloga do HRSM

Para crianças com autismo, a primeira consulta é dedicada à escuta dos pais ou responsáveis. A partir dessa avaliação, é definido um plano terapêutico individualizado. Em geral, o acompanhamento começa com 14 sessões de fonoterapia, com duração de uma hora cada. Caso haja necessidade, o paciente é encaminhado para continuidade do cuidado por meio da regulação.

“A maioria das crianças com autismo apresenta alguma condição associada, como o TDAH. Uma característica comum é a dificuldade na comunicação. Aqui, trabalhamos com terapias específicas para que o paciente consiga se expressar melhor. Cada plano é construído de forma individualizada”, explica a fonoaudióloga Thayná Martins.

O ambulatório funciona às quartas-feiras no período da tarde e às quintas e sextas-feiras em tempo integral, atendendo pacientes da região Sul.

Espaço sensorial

Como parte dessa estratégia, o hospital implantou o Espaço Humanizar TEA, ambiente sensorial voltado exclusivamente a crianças com autismo. O local foi planejado para reduzir estímulos excessivos e oferecer mais conforto, especialmente durante o tempo de espera.

Além de funcionar como área de acolhimento, o espaço também pode ser utilizado em atendimentos específicos. Em algumas situações, equipes multiprofissionais realizam o cuidado no próprio local, evitando a exposição a ambientes mais intensos.

Dados do Censo Demográfico de 2022 indicam que o Brasil tem cerca de 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de transtorno do espectro autista, o equivalente a 1,2% da população. O transtorno é mais frequente entre homens e costuma se manifestar ainda na infância.

Como acessar o serviço

O acesso aos atendimentos ocorre principalmente por meio do Sistema de Regulação da SES-DF, com encaminhamento realizado pelas Unidades Básicas de Saúde e pelos hospitais regionais. No caso da odontologia do HRSM, o atendimento é feito via regulação, com suporte também para casos de urgência por demanda espontânea.

Para o acompanhamento no ambulatório de linguagem infantil, é necessário procurar uma unidade básica de saúde para avaliação e encaminhamento. O serviço funciona às quartas-feiras no período da tarde e às quintas e sextas-feiras em tempo integral, atendendo pacientes da região Sul.

 

Por Agência Brasília, com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) | Edição: Carolina Caraballo

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