Antenados Blog Meio Ambiente GDF entrega licença ambiental do Assentamento Patrícia Aparecida, no Paranoá
Meio Ambiente

GDF entrega licença ambiental do Assentamento Patrícia Aparecida, no Paranoá

Documento garante segurança jurídica às famílias e estabelece regras para uso sustentável do solo, com foco na produção agroecológica

 

O assentamento de trabalhadores rurais Patrícia Aparecida, na área rural do Paranoá, recebeu, nesta quinta-feira (8), a licença ambiental emitida pelo Instituto Brasília Ambiental. A medida assegura a regularização da área, que abriga 24 famílias instaladas no local desde 2013, e permite o desenvolvimento das atividades produtivas de forma sustentável e alinhada às normas ambientais. O documento tem validade de dez anos.

Licença ambiental permite à comunidade aprimorar a produção, a partir da utilização de modelo agroecológico | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
Licença ambiental permite à comunidade aprimorar a produção, a partir da utilização de modelo agroecológico | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Com área total de 377 hectares, o assentamento está situado próximo ao entroncamento das rodovias BR-251 e DF-130, em região inserida na Zona Rural de Uso Controlado I do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot) e na Zona de Uso Sustentável da Área de Proteção Ambiental do Planalto Central. Por isso, o processo de regularização era essencial para assegurar a conformidade com as diretrizes de proteção ambiental do local.

A Licença Ambiental Simplificada nº 24/2025 emitida pelo Brasília Ambiental autoriza a atividade de assentamento rural, com condicionantes e regras para o uso do solo, como a adoção obrigatória do modelo agroecológico de produção, a utilização exclusiva de irrigação por gotejamento e a proteção das áreas de preservação permanente.

“Essas 24 famílias estão aqui há 13 anos, de forma precária, sem poder construir nada, sem água e sem luz, tudo na gambiarra. Hoje, estamos garantindo que elas possam viver com dignidade e produzir”

Rôney Nemer, presidente do Instituto Brasília Ambiental

Durante a solenidade, a chefe de gabinete da Vice-governadoria, Juliana Bonfante, anunciou que outras regiões serão contempladas. “O trabalho do Governo do GDF é regularizar e deixar tudo em ordem”, afirmou. “Aqui estava para se fazer [a regularização] há muito tempo, e agora está tudo certo. O governo tem muita coisa ainda para fazer em outros lugares. O trabalho continua”.

Conquista

O presidente do Brasília Ambiental, Rôney Nemer, ressaltou que a entrega do documento corrige uma espera histórica.

Essas 24 famílias estão aqui há 13 anos, de forma precária, sem poder construir nada, sem água e sem luz, tudo na gambiarra”, afirma. “Houve uma determinação do governador Ibaneis Rocha e da vice-governadora Celina Leão para que déssemos prioridade à regularização dessas áreas. Hoje, estamos cumprindo esse papel e garantindo que elas possam viver com dignidade e produzir.”

Segundo o gestor, além da segurança jurídica, a licença permite que o assentamento se consolide como espaço produtivo e ambientalmente responsável. “Eles sempre foram parceiros do meio ambiente”, lembrou. “Preservaram o Cerrado, não atrapalharam o refúgio de vida silvestre. As condicionantes que colocamos, na prática, eles já executam. Agora, vão poder ocupar a área de forma definitiva, com qualidade, infraestrutura e fornecer produção agrícola para toda a população do Distrito Federal”.

A produtora Elenice Ramos comemora: “Sem essa licença, estava tudo travado: financiamento, empréstimo, banco. A gente precisava plantar e expandir nossa produção. Isso aqui é o início de tudo”

Entre as exigências previstas estão a manutenção de faixas de proteção não edificáveis de 17,6 metros ao longo dos canais naturais de escoamento superficial, a implantação de fossas sépticas ou soluções ambientalmente adequadas para tratamento de efluentes domésticos, o cercamento das áreas de preservação permanente e a proibição de supressão de vegetação nativa sem autorização do órgão ambiental.

Além disso, o assentamento deverá desenvolver um projeto de educação ambiental junto às famílias, tendo como foco práticas agrícolas sustentáveis, reforçando o compromisso com a conservação dos recursos naturais e a produção responsável.

Para quem vive da terra, a licença representa um divisor de águas. A produtora rural Elenice Moreira Ramos, de 61 anos, enfatizou que o documento abre caminhos promissores para o futuro da comunidade. No local, ela cultiva mandioca, além de hortaliças como quiabo, jiló, berinjela, pepino e outras variedades.

“A importância é enorme, eu não tenho nem palavras”, declarou Elenice. “Sem essa licença, estava tudo travado: financiamento, empréstimo, banco. A gente precisava plantar e expandir nossa produção. Isso aqui é o início de tudo”.

Pedro Paulo dos Santos produz jiló, quiabo, mandioca, pepino, tomate e maracujá: “Hoje, com a licença na mão, o mundo se abriu de novo. Trabalhamos com mais vontade e segurança”

 O produtor rural Pedro Paulo dos Santos, 56, acompanha o assentamento desde o primeiro dia e também celebrou a regularização. “Antes era uma coisa, agora melhorou 150%”, avaliou ele, que produz tomate, pepino, mandioca, pimenta, quiabo, jiló e maracujá. “A gente trabalhava com medo de multa, sem tranquilidade. Hoje, com a licença na mão, o mundo se abriu de novo. Trabalhamos com mais vontade e segurança. Com esse documento, a vontade é crescer mais. Agora precisamos avançar também na parte da comercialização, e tenho certeza de que o governo vai ajudar”.

 

 

 

Por Thaís Miranda, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto

Sair da versão mobile