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Participantes De Audiência Defendem O Protagonismo Dos Povos Indígenas No Espaço Urbano

Ao final do encontro, o deputado Leandro Grass sugeriu a construção de uma agenda em conjunto com os representantes indígenas do DF para avaliar as condições sanitárias, entre outros aspectos, e estreitar as relações

Ao final do encontro, o deputado Leandro Grass sugeriu a construção de uma agenda em conjunto com os representantes indígenas do DF para avaliar as condições sanitárias, entre outros aspectos, e estreitar as relações
Foto: Reprodução/TV Web CLDF

protagonismo dos povos indígenas no espaço urbano foi defendido pelos participantes da audiência pública da CLDF na tarde desta segunda-feira (19), transmitida ao vivo pela TV Web CLDF e pelo canal da Casa no Youtube, com participação pelo e-Democracia. O mediador do debate, deputado Leandro Grass (Rede), destacou a importância de “sintonizar” com os povos indígenas brasileiros, especialmente aqueles que residem no DF. A data em que se celebra o Dia dos Povos Indígenas (19) precisa ser traduzida em ações e políticas públicas, alegou.

Grass contextualizou as dificuldades enfrentadas por esses povos desde a chegada dos portugueses. Atualmente os indígenas somam 305 povos distribuídos em 724 áreas no País, sendo que, no DF, há uma comunidade indígena superior a seis mil pessoas. Desta, quase 30% têm rendimento de até um salário mínimo, realidade que suscita, de acordo com o parlamentar, a ação do poder público e a responsabilidade coletiva a fim de garantir o direito à saúde, à educação e ao trabalho. Ele reforçou a importância da presença e da colaboração dos indígenas nas políticas públicas para um protagonismo real que lhes assegure a qualidade de vida.

 

Em vídeo transmitido durante a audiência, a deputada federal Joênia Wapichana (Rede/RR), primeira deputada indígena do País, frisou o respeito à identidade e à realidade de constante migração desses povos. “Podemos estar em qualquer lugar, mas nunca deixaremos de ser indígenas”, explanou.

Do mesmo modo, a professora da Secretaria de Educação do DF, Potyra Terena, disse que “as pessoas confundem e acham que os indígenas estão sempre nas florestas e nas aldeias, e não nas cidades, desconhecendo a dimensão da identidade e do que é ser indígena no contexto urbano”. Ela criticou a invisibilidade dos indígenas nas políticas públicas do DF e defendeu a aplicação da Lei 11.645/2008, que incluiu no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Para aproximar os estudantes brasileiros da cultura indígena, o escritor e contador de histórias Kamuu Dan Wapichana sugeriu a literatura indígena. Ele também entoou um canto de celebração indígena durante o evento.

Já as tradições, os ritos e costumes dos indígenas foram enfatizados pelo gerente do Museu dos Povos Indígenas, David Terena. Entre as finalidades do museu, ele destacou que o local se configura como uma instituição de informação, pesquisa e divulgação do patrimônio cultural, e de construção da memória dos índios, além de se constituir como um espaço para manifestação cultural.

Por sua vez, o representante do Conselho Indígena no DF, Matheus Terena, reivindicou maior diálogo e participação nas instituições públicas. “A causa indígena é de todos”, conclamou. Ao discorrer sobre a saúde indígena no DF, Júnior Xukuru solicitou ao GDF elaborar uma cartilha visando ao atendimento dos indígenas nos ambulatórios e postos de saúde a fim de respeitar suas especificidades culturais.

Ao final do encontro, o deputado Leandro Grass sugeriu a construção de uma agenda em conjunto com os representantes indígenas do DF para avaliar as condições sanitárias, entre outros aspectos, e estreitar as relações com esses povos. Franci Moraes – Agência CLDF

 

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