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Em homenagem ao folclore, grupo reverencia lendas nacionais em espetáculo de dança

Contos do imaginário brasileiro ganham o palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Taguatinga, neste final de semana

 

No Mês do Folclore Nacional, o Grupo Pele apresenta uma obra dançada, contada e encantada, para não deixar cair no esquecimento as lendas que sempre fizeram parte do imaginário dos brasileiros. O espetáculo Inabitável está em cartaz no Teatro Paulo Autran, no Sesc Taguatinga, com sessões neste sábado (16), às 19 horas, e domingo (17), às 18h. Na sexta-feira (15), estudantes do Centro de Ensino Médio 12 de Ceilândia e pessoas com deficiência visual, que viveram a experiência a partir da audiodescrição, estiveram na plateia.

Inabitável é parte do projeto Pele em Trânsito, que conta com financiamento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), e une dança, circo e contação de histórias. Com direção dos coreógrafos Catherine Zilá e Carlos Guerreiro, a história, escrita em parceria com a brasiliense Telma Braga, mergulha na cultura popular e representa, por meio dos movimentos, o conto de seres encantados.

A partir de dois seres encantados, 'Inabitável' discute a perda da memória decorrente das novas tecnologias | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília
A partir de dois seres encantados, ‘Inabitável’ discute a perda da memória decorrente das novas tecnologias | Fotos: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

“Quem vier vai reconhecer referências a Curupira, Saci, Cuca, Iara, mas nada muito caricato. A ideia foi trazer para este espetáculo dois seres encantados com a reflexão sobre a perda da memória a partir de novas tecnologias”, conta Catherine.

O cenário também dá destaque às questões ambientais e a perda de espaço físico submetida à era tecnológica. “Sempre que a gente traz esse resgate da cultura popular, também trazemos, de maneira direta ou indireta, a preocupação com o meio ambiente. Esses dois seres vão perdendo espaço, mas não somente no imaginário, o espaço onde eles estão, nas matas, nos rios”, complementa a co-diretora e coreógrafa. 

Para o professor de educação física, Eduardo Augusto, a dança e o teatro são novidades para muitos estudantes. “A dança é algo novo, não é algo que eles estão acostumados a ver em sala de aula, apesar dos esportes, e poucos conheciam esse ambiente ou sabiam como funciona, então foi um momento muito importante e gratificante”, disse. 

Comprometidos com a acessibilidade, o Grupo Pele leva à população do DF sessões inclusivas. Neste sábado, haverá intérprete de Libras durante a apresentação. Para a assistente social Zozimeire dos Santos, que tem deficiência visual, participar da apresentação por meio da audiodescrição é poder enxergar de maneira subjetiva o espetáculo, mas, ainda assim, fazer parte do show.

A assistente social Zozimeire dos Santos comemora a interpretação em Libras do espetáculo: “Somos incluídos”

“Cada um de nós, seja com baixa visão ou perda total, precisa da audiodescrição. Com ela, entendemos o que está acontecendo, somos incluídos ali. A peça nos possibilita isso. Eu quero agradecer ao Governo do Distrito Federal por proporcionar o FAC para a nossa cultura”, celebrou. 

Bom para todos

O cenário da peça destaca questões ambientais e a perda de espaço físico submetida à era tecnológica

O espetáculo

conta com o trabalho de mais de 14 pessoas desde a montagem do cenário até a divulgação. “Não fazemos arte sozinhos, por isso esse apoio é tão fundamental. Por meio do FAC conseguimos, também, pagar de maneira justa os artistas que estão dentro e fora de cena, além de conseguir preços mais acessíveis para a população que vai nos assistir”, destacou Catherine.

Outros quatro espetáculos circulam o DF pelo projeto Pele em Trânsito. Ceilândia recebeu a obra A Sós. Após a passagem por Taguatinga, com Inabitável, o Grupo segue para o Plano Piloto, com Um Lugar de Amor, e, em março de 2026, apresenta O Labirinto de Vidro, no Gama. 
 

 

Por Nathália Borgo, da Agência Brasília | Edição: Vinicius Nader

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