Antenados Blog Antenados In Estefânia Viveiros detalha como foi a trajetória de se tornar a primeira mulher a presidir a Ordem dos Advogados do Distrito Federal (OAB/DF)
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Estefânia Viveiros detalha como foi a trajetória de se tornar a primeira mulher a presidir a Ordem dos Advogados do Distrito Federal (OAB/DF)

Uma trajetória acadêmica sólida, com doutorado e livros publicados. Esse é um pequeno resumo da caminhada de Estefânia Viveiros. Ela foi a primeira mulher a presidir a Ordem dos Advogados do Distrito Federal (OAB/DF) em um momento em que o protagonismo feminino nos espaços de poder era ainda mais restrito. Olhando para trás, a advogada relembra os obstáculos superados para ocupar a cadeira. Com apenas 31 anos, teve que lidar com preconceitos relacionados à idade e ao gênero.

“Foi uma quebra de tabu. Os desafios foram muitos. À época, os preconceitos manifestavam-se e eram demonstrados sem tanta cerimônia”, lembra. Ela explica que, por muitas vezes, precisou recorrer ao Poder Judiciário para reconstruir os “muros” e passar a construir tijolinho por tijolinho para conquistar espaço feminino na advocacia. “Fiz tudo isso carregando a força das mulheres do meu estado, Rio Grande do Norte, onde as mulheres são exemplos de abnegação, de pioneirismo e de coragem”, comenta.

Protagonismo feminino

O cenário na advocacia feminina passou por grandes mudanças, mas ainda há avanços significativos que precisam ser conquistados, avalia Estefânia. Hoje as mulheres são maioria em todo o Brasil e têm participação ativa na OAB. Foram estipuladas, por exemplo, a paridade de gênero e a política de cotas raciais. Além disso, o assédio sexual, moral e político foi classificado como infração ético-disciplinar, passível de punição direta pela entidade. A advocacia de alto nível exige disponibilidade quase integral. E para estabelecer os limites entre o profissional e a vida familiar e social, a advogada afirma que o apoio e a compreensão de quem está ao redor são os principais alicerces para manter o equilíbrio.

“A advocacia, realmente, é uma atividade pulsante, que exige muito empenho e tempo. É uma profissão extremamente árdua, que requer muita dedicação na defesa dos interesses dos seus clientes e também a constante necessidade de estar sempre atualizado, acompanhando de perto as alterações legislativas. É preciso gostar do que se faz”, acrescenta.

 

Passado e futuro

Se Estefânia pudesse voltar no tempo e dar um único conselho para si mesma ao receber sua carteira da OAB, ela destaca que prezaria por passar uma valiosa lição.
“Cumpra sempre os dez mandamentos da advocacia baseados na obra de Eduardo Juan Couture, conhecido mundialmente: 1. Estude; 2. Pense; 3. Trabalhe; 4. Lute (pela Justiça antes do Direito); 5. Seja leal; 6. Tolere; 7. Tenha paciência; 8. Tenha fé; 9. Esqueça (as paixões) e 10. Ame a profissão”, explica.
E o que falta para quem já ocupou os postos mais altos da sua classe? O último alcançado foi a finalização do pós-doutorado na Universidade do Porto, em Portugal. Agora, o que resta é realizar os sonhos que o futuro reserva levando no peito uma frase de Fernando Pessoa: “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

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