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Programa Deep Tech terá R$ 9,8 milhões para transformar ciência em negócios no Distrito Federal

Iniciativa da FAPDF estruturada para apoiar startups de base científica atua nos níveis mais avançados da esteira de inovação (TRL 7 a 9), conectando pesquisa, mercado e capital

 

A Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) lança o Programa Deep Tech FAPDF, a nova iniciativa estratégica da fundação voltada à criação e aceleração de negócios de base científico-tecnológica deep tech no Distrito Federal. Com investimento total de R$ 9,8 milhões, o programa busca transformar projetos científicos em startups deep tech de alto impacto.

Executado pela Emerge e pela Cotidiano Aceleradora (CAMP), o programa estrutura uma jornada que vai da capacitação em inovação à validação tecnológica e captação de investimentos. As inscrições estão abertas até dia 18 pelo site.

O que caracteriza uma deep tech

Deep techs são tecnologias originadas de descobertas científicas ou avanços significativos de engenharia, baseadas em conhecimento profundo, testável e acumulado ao longo de anos de pesquisa.

Diferentemente de inovações incrementais, essas soluções precisam superar riscos científicos e de engenharia relevantes, comprovar funcionamento fora do ambiente de laboratório e demonstrar viabilidade técnica antes mesmo de validar mercado.

Seu ciclo de desenvolvimento costuma ser mais longo, intensivo em capital e dependente de validações experimentais, provas de conceito, testes regulatórios e infraestrutura especializada. O grande desafio está em transformar esse conhecimento científico em inovação aplicada e negócios sustentáveis.

Empreendedora apresentando sua solução deep tech para representante do ecossistema de inovação no Deep Tech Summit 2025
Empreendedora apresentando sua solução deep tech para representante do ecossistema de inovação no Deep Tech Summit 2025

Inserção estratégica na esteira de inovação

O programa Deep Tech FAPDF está alinhado à esteira de inovação da FAPDF, enquadrando-se nos níveis mais avançados de maturidade tecnológica — TRL 7 a 9 (Technology Readiness Level). Nessa fase, as soluções já apresentam protótipos avançados, testes em ambiente real e potencial de escalonamento. O foco passa a ser: consolidação tecnológica; inserção no mercado; estruturação empresarial; e geração de impacto econômico e social.

“Temos ciência de alta qualidade sendo produzida no Distrito Federal. O programa Deep Tech nasce para aproximar essa produção do mercado, apoiando tecnologias que já estão em níveis avançados de maturidade e criando um caminho estruturado para que se consolidem como startups sólidas, com capacidade de escalar e atrair capital”, afirma o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman.

Estrutura do programa

O programa está organizado em quatro etapas principais:

  1. Capacitação ampla em inovação — Todos os inscritos terão acesso a trilha estruturada de capacitação em empreendedorismo científico e elaboração de projetos inovadores;
  2. Modelagem de negócios — Serão selecionados 30 projetos, que receberão subvenção de R$ 60 mil cada para criação da startup e estruturação do modelo de negócio;
  3. Aceleração e validação tecnológica — Entre os 30 projetos, 10 startups passam para a fase de aceleração, recebendo subvenção adicional de R$ 600 mil para provas de conceito, validação tecnológica e inserção no mercado;
  4. Matching fund (co-investimento público-privado) — O programa contará com mecanismo de alavancagem privada: a cada R$ 1 milhão captado com investidores, haverá complementação pública de R$ 1 milhão, até o limite global de R$ 2 milhões.

O Programa Deep Tech FAPDF mobiliza R$ 9,8 milhões distribuídos em R$ 1,8 milhão para 30 projetos (R$ 60 mil cada); R$ 6 milhões para 10 startups (R$ 600 mil cada); e R$ 2 milhões para matching fund (modelo 1:1 com capital privado).

A expectativa é criar novas startups deep tech no DF, fortalecer a transferência de tecnologia das instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) para o mercado, gerar empregos qualificados e posicionar o Distrito Federal como polo nacional de inovação de base científica.

 

Por Agência Brasília, com informações da FAPDF | Edição: Vinicius Nader