Cidadania

Defesa que salva vidas: delegado Jônatas Silva na proteção dos animais no Distrito Federal

À frente da primeira delegacia especializada em crimes contra animais do Brasil, o delegado destaca avanços nas investigações e os desafios da proteção animal

A proteção dos animais ganhou força nos últimos anos no Distrito Federal, impulsionada por legislação mais rigorosa, maior conscientização da população e atuação especializada das forças de segurança. Nesse cenário, um dos nomes que se destacam é o do delegado Jônatas José Santos Silva, policial civil há 20 anos e ex-chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra os Animais (DRCA), unidade pioneira no Brasil dedicada exclusivamente à investigação de maus-tratos e outras violências praticadas contra animais.

Ao longo da carreira, Jônatas Silva acumulou experiências em áreas estratégicas da segurança pública, mas foi na DRCA que encontrou uma missão que considera transformadora: fortalecer a proteção animal por meio de investigações qualificadas, responsabilização dos autores e promoção de uma cultura de respeito à vida.

“O Distrito Federal vive uma mudança importante na forma como a sociedade enxerga os animais. Hoje existe uma compreensão muito maior de que eles possuem direitos e merecem proteção. O aumento das denúncias mostra que as pessoas estão mais atentas e dispostas a denunciar situações que antes eram ignoradas”, afirma o delegado à Revista Antenados.

Segundo o delegado, os crimes mais recorrentes envolvem abandono, privação de água e alimento, manutenção de animais em ambientes insalubres, agressões físicas e negligência grave. “Os maus-tratos não se resumem à violência física. Muitas vezes encontramos animais submetidos a sofrimento prolongado por falta de cuidados básicos, assistência veterinária ou condições mínimas de bem-estar”, explica. Apesar dos avanços, a investigação desses crimes ainda enfrenta desafios. Um dos principais é o receio de testemunhas em formalizar denúncias. “Muitos cidadãos possuem vídeos ou fotografias, mas deixam de denunciar por medo de conflitos ou retaliações. Isso dificulta a coleta de provas e, em alguns casos, compromete a responsabilização dos envolvidos”, ressalta.
Ao recordar sua passagem pela DRCA, Jônatas cita o caso da cadela Chiquinha, encontrada em Ceilândia em estado extremamente debilitado. “Foi uma cena muito difícil. Ela já não conseguia se mover e demonstrava um grau extremo de sofrimento. Infelizmente, não resistiu. Casos como esse reforçam diariamente a importância do nosso trabalho e mostram o quanto a crueldade contra os animais precisa ser combatida com firmeza”, declara Jônatas.

Durante sua gestão, a delegacia aprimorou protocolos de investigação e fortaleceu ações de proteção animal em parceria com diferentes setores da sociedade. Para o delegado, a proteção dos animais é uma responsabilidade coletiva. “Hoje existe investigação, responsabilização e uma mudança cultural em curso. Mas denunciar, registrar provas e não se omitir diante da crueldade continuam sendo atitudes fundamentais. Toda vida importa”, desabafa. Casos de maus-tratos podem ser denunciados pelo telefone 197 da Polícia Civil do Distrito Federal ou registrados na Delegacia Eletrônica. Em situações de flagrante, a orientação é acionar a polícia pelo 190.

Foto: divulgação