Sessão do primeiro filme brasileiro a vencer a categoria de Melhor Filme Internacional emocionou os 470 espectadores no último dia de exibição
Sob aplausos e com a sala cheia, os telespectadores de Brasília assistiram à exibição do filme Ainda Estou Aqui no último dia da Mostra Oscar 2025, no Cine Brasília, nesta quarta-feira (5). Dirigido por Walter Salles, o longa conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional, marcando a primeira estatueta da Academia para o Brasil e reafirmando a força do cinema nacional no cenário global.

O público compareceu em peso para prestigiar a obra. Das 619 poltronas disponíveis no Cine Brasília, 470 foram ocupadas, garantindo uma sala repleta de emoção. Símbolo da cultura cinematográfica da cidade, o local foi escolhido por Cândice Rater, 55, para assistir pela segunda vez ao longa, que retrata a trajetória de Eunice e Rubens Paiva, marcada pelo amor e pela resistência política durante a ditadura militar.
“Quando vim pela primeira vez, não consegui ver a sessão, pois estava lotada, mas eu acho que a gente precisa valorizar o que é nossa cultura, então não teria lugar melhor para assistir ao filme que não fosse o Cine Brasília e voltei para ver aqui”, conta, reforçando o significado da obra para ela: “A mensagem é muito clara: ditadura nunca mais, sem anistia”.
Em uma palavra, Cláudia Lima, 55, define Ainda Estou Aqui: “Impactante”. Para a professora, a história do longa reflete um momento histórico vivido no país por muitas pessoas. “Ele mostra a realidade de tudo o que nós vivemos e reforça que ainda faltam respostas”, observa.
Na avaliação da diretora do Cine Brasília, Sara Rocha, a sessão foi uma oportunidade para o público rever ou assistir à obra aclamada. “Nós democratizamos o acesso ao cinema, promovendo a integração entre o público e o melhor do cinema nacional e internacional, com preços populares que reforçam o papel do Cine Brasília como um cinema público”, ressaltou.
Filme premiado

Baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, Ainda Estou Aqui tornou-se um fenômeno de público: arrecadou mais de R$ 150 milhões mundialmente e levou mais de 5 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros, tornando-se um dos maiores sucessos do país.
A premiação de Melhor Filme Internacional foi um dos motivos que atraiu Erick Coutinho, 20, ao cinema. “Eu já queria ver antes, mas depois do prêmio agilizei para saber da história”, contou. Outra motivação para ir ao cinema foi a atuação de Fernanda Torres e o trabalho de Walter Salles. “Eu acompanho o trabalho deles há muito tempo e não deixaria de ver a obra”, disse o estudante. Após a sessão, ele saiu satisfeito: “Valeria o prêmio de Melhor Filme. Dos indicados que eu vi, esse foi o melhor”.
Edinalva Ferreira, 55, também se entusiasmou com o Oscar: “Valeu a pena esperar tanto tempo. Pena que é o primeiro, mas virão muitos. Acho incrível ver um filme nacional recebendo esse destaque. Isso mostra que temos histórias fortes e bem-contadas para o mundo todo”.
Para Gustavo Simas, 59, o Oscar foi merecido, principalmente pelo tema retratado. “É uma recriação de um momento que eu vivi”, relembrou. “Quem tinha um mínimo de informação passava por essa pressão psicológica o tempo todo. É muito importante sabermos a história e não deixar que ela se repita”, afirma o professor, que levou o filho Guilherme, 18, para assistir à obra.
Por Thaís Umbelino, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto