CrisDown oferece suporte a 2,5 mil famĂlias e realiza atĂ© 1,5 mil atendimentos mensais
âEu sonho em ver ele trabalhando, namorando e casando.â Esse Ă© o desejo de Nilma Rodrigues Sousa, 42 anos, para o futuro do filho, IsaĂas Kelvin Rodrigues, 20. Assim como outras mĂŁes, Nilma compartilha esperanças e incertezas diante do diagnĂłstico de SĂndrome de Down do filho, morador de Santa Maria.
IsaĂas Ă© acompanhado pelo Centro de ReferĂȘncia Interdisciplinar em SĂndrome de Down (CrisDown) desde sua criação, em 2013. Hoje, o estudante realiza acompanhamento com clĂnico geral e participa do grupo de interação de jovens.
A unidade, localizada no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), oferece atendimento especializado e interdisciplinar para gestantes, bebĂȘs, crianças, adolescentes, adultos e idosos com T21. SĂŁo atendidas no local cerca de 2,5 mil famĂlias e realizados aproximadamente 1,5 mil atendimentos por mĂȘs.
DiagnĂłstico
Quando bebĂȘ, IsaĂas foi diagnosticado com âpĂ© torto congĂȘnitoâ â uma deformidade que afeta ossos, mĂșsculos, tendĂ”es e ligamentos â e iniciou tratamento no Hospital Sarah Kubitschek. LĂĄ, tambĂ©m foi confirmada a suspeita de SĂndrome de Down.
âNa hora, pensei: ânĂŁo vou deixar de amar o meu filhoâ. SĂł pedi que me orientassem onde procurar atendimentoâ, relembra Nilma. Desde entĂŁo, IsaĂas passou por estimulação precoce, estudou no ensino regular e participou de atividades complementares. Atualmente, cursa o segundo ano do ensino mĂ©dio.
âO IsaĂas Ă© alfabetizado, o que foi um desafio. Hoje, ele anda de ĂŽnibus sozinho para ir Ă escola, resolve vĂĄrios assuntos por conta prĂłpria e faz aulas de dança e nataçãoâ, conta a mĂŁe, orgulhosa.
Caminho para a independĂȘncia
âEu gostaria de deixĂĄ-lo mais independente. O sonho dele Ă© morar sozinhoâ, esse Ă© o desejo de Diva JosĂ© Rosa de Paiva, 72, e tambĂ©m do filho, Murillo Agnelo Rosa de Paiva, 32, que Ă© acompanhado pelo CrisDown desde a adolescĂȘncia. A moradora do NĂșcleo Bandeirante descobriu a T21 do filho depois que ele nasceu, enquanto se recuperava na internação pĂłs-cesĂĄrea.

ApĂłs o resultado, foram iniciados todos os tratamentos necessĂĄrios, como fisioterapia e estimulação precoce, atĂ© Murillo completar os critĂ©rios para entrar no ensino regular. âQuando abriu o CrisDown, eu fui uma das primeiras a ser atendida. Ele, por exemplo, realizou acompanhamento com endĂłcrino-pediatra e endĂłcrino, desde bebĂȘ atĂ© os 20â, relata.
Murillo realizou o ensino regular atĂ© o primeiro ano do ensino mĂ©dio e mantĂ©m a independĂȘncia realizando as atividades do dia-a-dia. âEle anda de ĂŽnibus sozinho aqui dentro do NĂșcleo Bandeirante, vai ao mercado, Ă padaria. JĂĄ fez curso de garçom e de informĂĄtica. Gosta de desenhar e de escreverâ, conta Diva.
Sobre o sonho do Murillo de morar sozinho, a mĂŁe reflete que hĂĄ muito ainda a ser feito. âConheço a maturidade dele e confesso que sou uma mĂŁe um pouco pegajosa, porque somos sĂł nĂłs dois morando juntosâ, brinca.

Para a coordenadora do CrisDown, Carolina Valle, os avanços na medicina e a inclusĂŁo social tĂȘm melhorado a qualidade de vida dessas pessoas. âA SĂndrome de Down requer acompanhamento contĂnuo para garantir oportunidades que promovam mais independĂȘnciaâ, destaca.
InclusĂŁo e apoio
De acordo com o MinistĂ©rio da SaĂșde, a incidĂȘncia da SĂndrome de Down Ă© de aproximadamente um caso para cada 600 a 800 nascidos vivos. Segundo levantamento do Instituto de Pesquisa e EstatĂstica do Distrito Federal (IPEDF), 77% das pessoas com SĂndrome de Down no DF tĂȘm atĂ© 18 anos. Embora nĂŁo haja estimativas nacionais sobre a expectativa de vida dessas pessoas, estudos internacionais apontam uma mĂ©dia de 60 anos.
Comemorado em 21 de março, o Dia Mundial da SĂndrome de Down tem como tema, em 2025: âSuporte para quem precisa. Todos juntos apoiando a inclusĂŁo! Seja rede de apoio!â. A campanha reforça a necessidade de governos e comunidades aprimorarem os sistemas de suporte, garantindo acesso a recursos adequados para uma vida plena e inclusiva.
âA rede de apoio inclui suporte emocional, educacional e social, promovendo desenvolvimento pessoal e autonomia. Esse suporte vai alĂ©m da famĂlia e envolve a saĂșde, a escola, a comunidade e outros espaços de convivĂȘnciaâ, ressalta a coordenadora.
Como acessar o serviço
O CrisDown faz parte da rede de assistĂȘncia da Secretaria de SaĂșde do Distrito Federal (SES-DF). As famĂlias podem procurar atendimento diretamente na unidade, sem necessidade de encaminhamento. O agendamento deve ser feito pelo WhatsApp (61) 99448-0691, com atendimentos realizados Ă s sextas-feiras.
Por AgĂȘncia BrasĂlia, com informaçÔes da Secretaria de SaĂșde | Edição: Ăgor Silveira