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Damares Alves: fé, coragem e uma vida dedicada a dar voz aos invisíveis Muito antes de ocupar uma cadeira no Senado Federal ou comandar um ministério, Damares Alves já havia escolhido qual seria sua missão: defender quem mais precisa

Mãe, educadora, pastora, advogada e ativista, ela construiu uma trajetória marcada pela atuação em defesa das mulheres, das crianças, das pessoas com deficiência e das famílias brasileiras. Hoje, como senadora pelo Distrito Federal, continua levando para a vida pública os valores que diz carregar desde a infância: fé, solidariedade e compromisso com o próximo.

Nascida no Paraná, em 1964, Damares ainda era criança quando se mudou com a família para o Nordeste, região pela qual demonstra profundo carinho e orgulho. Há mais de duas décadas escolheu Brasília para viver e construir sua história. Longe dos holofotes da política, faz questão de destacar o papel que considera mais importante de sua vida: ser mãe da Lulu.

 

“Antes de qualquer cargo, sou mãe de família, educadora, pastora e uma mulher de muita fé. Sou aquela mulher comum que gosta de conversar, que se emociona com a dor da vizinha e acredita que amar a Deus e ao próximo é o que nos faz levantar todos os dias”, resume.

Foi ainda na década de 1980, em Aracaju, que sua vocação para o serviço público começou a ganhar forma. O contato com crianças em situação de abandono e com mulheres que enfrentavam condições extremamente difíceis de trabalho despertou nela o desejo de transformar realidades. Participou da fundação do Movimento Nacional Meninas e Meninos de Rua, mas logo percebeu que apenas a boa vontade não bastava.

Decidiu estudar para ampliar sua capacidade de atuação. Formou-se em Pedagogia, em Sergipe, e posteriormente em Direito, em São Paulo. A partir daí, passou a atuar como assessora jurídica no Congresso Nacional, onde permaneceu por mais de duas décadas trabalhando nos bastidores da elaboração de leis e políticas públicas. Segundo ela, foi justamente nesse período que aprendeu que mudanças duradouras exigem presença, preparo e disposição para enfrentar resistências.

Ao longo da carreira, colecionou desafios. Entre eles, destaca a luta em defesa de crianças com deficiência em comunidades indígenas, o combate ao abuso e à exploração sexual infantil e o enfrentamento de interesses que, segundo ela, dificultavam mudanças nessas áreas. Quando assumiu o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, entre 2019 e 2022, passou a ocupar o centro do debate público. A visibilidade trouxe também críticas e forte pressão política. “Houve momentos de muito desgaste, mas minha fé sempre foi maior. Nunca me vi como ministra. Eu dizia que Deus era o ministro e eu apenas a assessora”, relembra.

Apesar das dificuldades, afirma que nunca perdeu de vista o propósito que a motivou desde o início da caminhada. Na vida pessoal, Damares diz que sua maior conquista foi a maternidade. Na vida pública, no entanto, acredita que nenhum cargo supera a satisfação de ver uma criança protegida da violência ou uma pessoa com deficiência sendo acolhida por políticas públicas. “Essas são vitórias que valem mais do que qualquer título”, afirma.

Sua própria história também se tornou uma mensagem de incentivo para outras mulheres. Ela acredita que as origens não determinam o destino de ninguém.

“Uma menina que nasceu no Paraná, cresceu no Nordeste, estudou com dificuldade e passou anos trabalhando nos corredores do Congresso hoje é senadora da República. Isso mostra que qualquer mulher pode chegar onde sonha.”

Para Damares, os princípios que sustentam essa caminhada permanecem os mesmos: fé, defesa da vida, valorização da família e amor ao próximo. Segundo ela, o verdadeiro sucesso só faz sentido quando é colocado a serviço das pessoas.

As dificuldades, por sua vez, deixaram marcas importantes. “Aprendi a criar uma casca grossa sem endurecer o coração. As cicatrizes nos lembram que sobrevivemos e nos tornamos mais fortes.”

No Senado Federal, Damares concentra parte de sua atuação em temas ligados à proteção das famílias. Entre as pautas que considera mais urgentes está o combate ao superendividamento provocado pelas apostas esportivas e jogos de azar online. Fundadora do movimento Brasil sem Azar, ela alerta para o impacto financeiro e emocional que o vício em apostas vem causando em milhares de famílias brasileiras.

 

“Pais deixam de comprar alimentos para apostar no celular. Isso provoca problemas graves de saúde mental, destrói famílias e compromete o futuro dos nossos jovens.”

Ao olhar para frente, afirma que continuará trabalhando pela defesa da infância, das mulheres, das pessoas com deficiência e pelo fortalecimento das famílias brasileiras. Às mulheres que ainda têm receio de seguir seus sonhos, deixa uma mensagem de encorajamento.

“O medo é como uma sombra: quando acendemos a luz, ele desaparece. Estudem, se preparem, trabalhem com honestidade e nunca deixem que a insegurança impeça vocês de ocupar os espaços que nasceram para conquistar.”

Mais do que uma trajetória política, a história de Damares Alves é marcada pela convicção de que servir ao próximo é uma missão. E é justamente essa missão que continua guiando sua atuação na vida pública.

Foto: divulgação