Pesquisa da UnB identifica ervas daninhas com 96% de precisĂŁo e promete transformar o monitoramento agrĂcola no DF
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A expansĂŁo de espĂ©cies daninhas Ă© um dos maiores desafios para a agricultura moderna. No Cerrado, bioma que abriga parte significativa da produção de grĂŁos do paĂs, o avanço do Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru-palmeri, tem preocupado agricultores e pesquisadores por provocar perdas milionĂĄrias na produtividade de soja e algodĂŁo.
Com fomento da Fundação de Apoio Ă Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), o professor Edilson de Souza Bias, do Instituto de GeociĂȘncias da Universidade de BrasĂlia (UnB), coordena o desenvolvimento de uma plataforma de cĂłdigo aberto integrada a ferramentas de inteligĂȘncia artificial (IA) voltada Ă identificação automĂĄtica de plantas invasoras. A iniciativa Ă© resultado do edital Agro Learning (2023) e envolve parceria do LaboratĂłrio de VisĂŁo Computacional da PontifĂcia Universidade CatĂłlica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Tecnologia e precisĂŁo no campo
O projeto começou a ser idealizado em 2018, mas ganhou força em 2023, quando a Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do DF (Seagri-DF) alertou para o risco da chegada do caruru-palmeri Ă regiĂŁo. As primeiras anĂĄlises foram conduzidas no municĂpio de Sapezal (MT), onde a infestação jĂĄ havia provocado prejuĂzos de atĂ© US$ 18,5 milhĂ”es em fazendas de soja e algodĂŁo.
Utilizando drones equipados com sensores de alta resolução (GSD de 2,5 cm, ou seja, capazes de registrar detalhes de atĂ© 2,5 centĂmetros por pixel), a equipe desenvolveu um modelo de aprendizado profundo (deep learning), tĂ©cnica de inteligĂȘncia artificial que ensina o sistema a reconhecer padrĂ”es visuais a partir de grandes volumes de imagens, alcançando 96% de precisĂŁo na identificação das plantas invasoras.
O modelo foi construĂdo a partir de milhares de imagens aĂ©reas captadas por aeronaves nĂŁo tripuladas de mapeamento profissional, em especial um drone DJI Matrice 300 RTK, equipamento de alto desempenho usado em levantamentos topogrĂĄficos e agrĂcolas de precisĂŁo. O drone foi acoplado a sensores RGB, multiespectral, termal e LiDAR (Light Detection and Ranging, ou Detecção e Medição da Luz), que emitem pulsos de laser para medir o tempo de retorno das reflexĂ”es e criar modelos tridimensionais da vegetação e do relevo.
Essa combinação de sensores permite capturar diferentes tipos de informação â desde a cor e textura atĂ© o calor e a estrutura das plantas. Em campo, a equipe avaliou a resposta de cada sensor para definir quais apresentavam maior eficiĂȘncia na detecção da espĂ©cie Amaranthus palmeri.
Esse conjunto tecnolĂłgico utiliza o sistema RTK (Real Time Kinematic), que faz correçÔes em tempo real no posicionamento do drone e garante precisĂŁo centimĂ©trica â requisito essencial para diferenciar espĂ©cies semelhantes em meio Ă s lavouras.
As imagens passaram por testes de altura de voo e resolução para definir o ponto ideal entre abrangĂȘncia e detalhamento. Com os dados ajustados, a equipe treinou uma rede neural profunda â estrutura computacional inspirada no funcionamento do cĂ©rebro humano â que aprendeu a distinguir automaticamente as plantas invasoras com base em padrĂ”es sutis de cor, textura e formato. Foram testadas diferentes arquiteturas de redes, como U-Net, ResU-Net e DeepLabv3+, para alcançar o melhor desempenho na segmentação das imagens.
AlĂ©m do Amaranthus palmeri, a equipe tambĂ©m identificou e mapeou o Amaranthus hĂbrido, uma variante igualmente resistente aos herbicidas e de difĂcil controle nas lavouras. O processo contou com a participação de bolsistas de graduação e pĂłs-doutorado da UnB, responsĂĄveis pela coleta de dados e pelo treinamento do algoritmo. O resultado Ă© um sistema capaz de processar imagens de diferentes drones e gerar coordenadas geogrĂĄficas precisas das ĂĄreas afetadas.
âA plataforma de cĂłdigo aberto jĂĄ estĂĄ pronta e serĂĄ aplicada no DF como fase final do projeto. O objetivo Ă© permitir que a Seagri utilize a ferramenta para identificar e mapear as ĂĄreas afetadas de forma rĂĄpida e precisaâ, explica o professor Edilson Bias.
O projeto conta com bolsistas de graduação e pĂłs-doutorado da UnB e mantĂ©m colaboração com o LaboratĂłrio de VisĂŁo Computacional da PUC-Rio, coordenado pelos professores Raul Feitosa e Gilson Alexandre, referĂȘncias nacionais em IA aplicada.
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Por AgĂȘncia BrasĂlia, com informaçÔes da FAPDF | Edição: Vinicius Nader
