SaĆŗde

Conscientização combate estigmas e amplia acesso ao tratamento de esquizofrenia

Data nacional reforƧa que pessoas com o transtorno podem conviver em sociedade, trabalhar e ter qualidade de vida com acompanhamento adequado

 

Estudos recentes apontam que cerca de meio milhão de brasileiros adultos vivem com esquizofrenia, doença mental que influencia a forma como uma pessoa pensa, sente e interpreta a realidade. Instituído pela Lei n 14.860, o Dia Nacional de Conscientização sobre Esquizofrenia, comemorado domingo (24), chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce e do tratamento contínuo e, principalmente, para a quebra de preconceitos relacionados à doença.

A esquizofrenia Ć© uma doenƧa psiquiĆ”trica crĆ“nica que requer cuidado ao longo de toda a vida. Ɖ uma enfermidade que causa a hiperestimulação da atividade dos neurĆ“nios, levando a uma atividade cerebral aumentada. ā€œDurante os episódios de crise, a pessoa com esquizofrenia vive sob ameaƧa persistente. Seja por meio da errĆ“nea interpretação da realidade, seja pela experiĆŖncia de alucinaƧƵes auditivas que comentam ou que ameaƧam o pacienteā€, explica o mĆ©dico e referĆŖncia tĆ©cnica distrital em psiquiatra da Secretaria de SaĆŗde (SES-DF), Thiago Blanco.

“Pessoas com esquizofrenia tendem a ser mais retraĆ­das, fechadas em si mesmas e introspectivas”

Thiago Blanco, psiquiatra

Apesar de o imaginĆ”rio popular frequentemente associar a doenƧa Ć  imprevisibilidade e ao risco de violĆŖncia, o especialista reforƧa que esse estigma nĆ£o corresponde Ć  realidade da maioria dos casos. ā€œPessoas com esquizofrenia tendem a ser mais retraĆ­das, fechadas em si mesmas e introspectivas. Elas experimentam uma sensação de angĆŗstia persistente relacionada a maior parte das vezes a uma crenƧa conspiratória inabalĆ”vel que provoca uma sensação permanente de ameaƧaā€, esclarece.Ā 

Diagnóstico e desafios

O diagnóstico é realizado com base nos critérios clínicos, a partir da observação, do diÔlogo e do vínculo. Eventualmente, exames podem ser úteis para descartar outras causas de alucinações e delírios. Um dos principais desafios do tratamento, porém, é a dificuldade do próprio paciente em reconhecer os sintomas.

ā€œPela doenƧa por si só, a pessoa nĆ£o consegue perceber a irrealidade das suas crenƧas e acaba nĆ£o se enxergando como doente. Isso dificulta a adesĆ£o ao tratamento, mas esse desafio Ć© enfrentado junto com a famĆ­lia e os profissionais de saĆŗde das equipes multidisciplinares, ajudando o paciente a entender que o tratamento pode ajudĆ”-lo a ter uma vida com autonomia e funcionalā€, destaca Blanco.

As UBSs e os Caps atuam juntos para atender os pacientes com esquizofrenia com qualidade | Foto:Ā Ā Jhonatan Cantarelle/AgĆŖncia SaĆŗde DF
As UBSs e os Caps atuam juntos para atender os pacientes com esquizofrenia com qualidade | Foto:Ā Ā Jhonatan Cantarelle/AgĆŖncia SaĆŗde DF

O tratamento envolve medicamentos antipsicóticos, programas de treino de habilidades cognitivas e sociais, reforço da rede de apoio familiar e comunitÔria, psicoterapia e educação em saúde. Na rede pública de saúde, as equipes multiprofissionais das unidades bÔsicas de saúde (UBSs) e dos centros de atenção psicossociais (Caps) atuam em conjunto para atender o paciente com integralidade.

Participam do cuidado os psicólogos, para ajudar no convĆ­vio e na adesĆ£o ao tratamento; os profissionais do serviƧo social, para auxiliar na garantia dos direitos; os nutricionistas, para garantir a alimentação adequada; e os enfermeiros, para o cuidado no dia a dia e monitoramento. ā€œĆ‰ um cuidado em redeā€, enfatiza Blanco.Ā 

ā€œUma pessoa com esquizofrenia nĆ£o Ć© um usuĆ”rio permanente e persistente do Caps. O Caps Ć© para quando quem estĆ” em crise, que precisa de um apoio mais frequente e intensivo. Ɖ muito possĆ­vel e desejĆ”vel, que após cessados os episódios de crise, a pessoa possa continuar o tratamento na UBSā€, esclarece. Ā 

Na data criada para conscientização da doenƧa, Blanco tambĆ©m destacou que portadores da enfermidade sĆ£o totalmente aptos a conviver em sociedade. ā€œUma pessoa com esquizofrenia deve conviver com outras pessoas, trabalhar, ter uma vida inserida socialmente, claro que com os desafios próprios de uma pessoa com doenƧas crĆ“nicasā€, reforƧou.

 

Por AgĆŖncia BrasĆ­lia, Para isso, a quebra do preconceito Ć© fundamental. ā€œDiminuir este estigma e esse preconceito Ć© fundamental para gerar uma mudanƧa na imagem da experiĆŖncia da doenƧa, na imagem que temos da experiĆŖncia dessa doenƧaā€, conclui.Com informaƧƵes da Secretaria de SaĆŗde | Edição: Vinicius Nader