Cidadania

Carteira de identificação garante direitos a pessoas com TEA; saiba como solicitar

Ciptea pode conferir prioridades e acesso a benefícios sociais e políticas públicas; no DF 21,8 mil pessoas estão cadastradas

 

Aline Campos, de 45 anos, recebeu em 2022 o diagnóstico de que o filho, João Campos, hoje com 13 anos, tinha Transtorno do Espectro Autista (TEA). No mesmo ano, a servidora pública fazia os exames que, mais tarde, confirmariam que ela própria também estava no espectro. Foi nesse contexto que Aline conheceu a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea).

“Foi muito tranquilo, eu tive contato com o pessoal da Secretaria da Pessoa com DeficiĆŖncia em um evento que participei, a Semana Azul. Foi aĆ­ que peguei todo o passo a passo para dar entrada na documentação”, lembrou. Assim como Aline e o filho, 21.815 pessoas com Transtorno do Espectro Autista estĆ£o registradas no Cadastro da Pessoa com DeficiĆŖncia do Distrito Federal (CADPcD) e tĆŖm direito Ć  Ciptea.

O documento nĆ£o Ć© uma mera formalidade. Com ele, Ć© possĆ­vel ser oficialmente identificado como PcD/TEA, o que pode conferir prioridades, abrir portas para benefĆ­cios sociais e facilitar o acesso a polĆ­ticas pĆŗblicas, a exemplo do DF AcessĆ­vel, que garante transporte porta a porta em casos elegĆ­veis, bem como — tambĆ©m após avaliação — isenção de IPVA e de impostos na compra de veĆ­culos (IPI e IOF).

“A Ciptea nĆ£o Ć© apenas um documento, Ć© um instrumento de cidadania. Ela garante visibilidade Ć s pessoas com Transtorno do Espectro Autista e assegura que seus direitos sejam respeitados em todos os espaƧos. No Distrito Federal, estamos comprometidos em transformar polĆ­ticas pĆŗblicas em aƧƵes concretas que impactem a vida das famĆ­lias”, ressaltou o secretĆ”rio da Pessoa com DeficiĆŖncia, Willian Cunha.

A Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) não é uma mera formalidade. Com ele, é possível ser oficialmente identificado como PcD/TEA, o que pode conferir prioridades, abrir portas para benefícios sociais e facilitar o acesso a políticas públicas | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília
A Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea) não é uma mera formalidade. Com ele, é possível ser oficialmente identificado como PcD/TEA, o que pode conferir prioridades, abrir portas para benefícios sociais e facilitar o acesso a políticas públicas | Foto: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

De fato, a carteira ajudou o dia a dia de Aline e JoĆ£o, que ainda citaram mais exemplos de benefĆ­cios e acesso a direitos. ā€œVocĆŖ consegue colocar os contatos de emergĆŖncia, caso seja necessĆ”rio em um momento de crise do autista. EntĆ£o, esse benefĆ­cio foi maravilhoso. O atendimento prioritĆ”rio tambĆ©m, tanto em serviƧos pĆŗblicos quanto privados. E um outro serviƧo de enorme valia foi o acesso Ć  vaga especial de estacionamento [conferido pelo Departamento de TrĆ¢nsito — Detran], que facilita muito a vida, principalmente daquele autista que precisa de mais suporte e requer um pouco mais de cuidado na hora de sair de casaā€, elencou a servidora.

ā€œA Ciptea traz vĆ”rios benefĆ­cios, como a melhora da identificação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, ajudando a ampliar de forma geral a conscientização da população sobre os autistas. E isso ajuda a gente a conseguir mais respeito e empatia, porque a gente sofre muito bullying por sermos diferentesā€, arrematou o jovem.

Como solicitar

A Ciptea pode ser solicitada pela internet.Ā EntĆ£o, basta preencher o formulĆ”rio com os dados do solicitante e anexar documentos pessoais (RG e CPF), foto 3×4, comprovante de residĆŖncia e laudo mĆ©dico de psiquiatra ou neurologista (com conclusĆ£o detalhada em casos de diagnóstico na fase adulta).

Após anÔlise e validação das informações, a carteira digital jÔ ficarÔ disponível para download.

 

Por Fernando JordĆ£o, da AgĆŖncia BrasĆ­lia | Edição: ƍgor Silveira