Sete das oito ruas jĆ” foram pavimentadas; nova infraestrutura vai facilitar acesso de veĆculos do transporte pĆŗblico e Ć“nibus escolares
Consegue imaginar morar por 27 anos sem Ôgua tratada, esgoto, rede pluvial, calçamento ou iluminação pública? Essa foi a realidade enfrentada pelos moradores da Quadra 2, antiga Quadra 12, da Estrutural. Hoje, a infraestrutura bÔsica jÔ faz parte do cenÔrio local, e as obras estão em fase de finalização: sete das oito ruas foram pavimentadas com bloquetes, e a última segue em execução. O avanço representa uma melhoria concreta na mobilidade e qualidade de vida local, além de reforçar o compromisso deste Governo do Distrito Federal (GDF) com a comunidade.

TambĆ©m estĆ” em andamento o alargamento da via em frente Ć quadra, ao lado do campo sintĆ©tico, que ligarĆ” o trecho entre o Centro OlĆmpico e a Quadra 2, com duas faixas pavimentadas. āAqui vai passar a linha de Ć“nibus escolar e transporte pĆŗblico, que antes nĆ£o entrava. E alĆ©m disso, vai reduzir poeira e lamaā, explica o administrador regional, Alceu de Mattos.
Segundo ele, jĆ” foram instaladas na quadra as redes de Ć”gua e esgoto, alĆ©m do calƧamento e da iluminação pĆŗblica. āEstamos finalizando essa rua e tem mais uma que tambĆ©m serĆ” asfaltada. Vamos colocar bocas de lobo para a drenagem da Ć”gua da chuvaā, relata. Ele ressalta que, com a finalização do asfalto e da segunda rua, a situação estarĆ” resolvida.
Em relação ao saneamento bĆ”sico, ele destaca a atuação do programa Ćgua Legal, da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb): āA instalação da rede de Ć”gua e esgoto foi feita com base nesse programa. Tivemos vĆ”rios parceiros, como a Caesb, que foi essencial, a Novacap, que fez a topografia para direcionamento das Ć”guas, e a Neoenergia, que ainda precisa colocar alguns braƧos nos postes, mas jĆ” estĆ” instalando relógios individuais de luz e Ć”guaā.

āA gente esperou por muito tempo, foram muitos anos vivendo na poeira, na lama. Quando chovia, era difĆcil atĆ© para levar as crianƧas para a escola. Meus filhos iam todos cheios de lama. EntĆ£o, com a chegada dessas melhorias, Ć© uma vitória para a genteā, conta a dona de casa Camila de Oliveira, 29. MĆ£e de quatro filhos, todos em idade escolar, ela comemora: āO ponto de Ć“nibus era longe. Agora, com o coletivo passando aqui na porta, vai ser muito bom para a gente, principalmente para quem Ć© mĆ£eā.
Outra melhoria importante foi a chegada da Ć”gua potĆ”vel. Camila Ć© uma das beneficiadas. āFicamos muito tempo sem Ć”gua tratada. Era tudo gambiarra, umas ligaƧƵes improvisadas. A Ć”gua era bem fraquinha, nĆ£o subia para o chuveiro, nem para a torneira. Tinha que usar uma torneirinha bem baixa e encher balde pra poder usarā. Segundo ela, jĆ” faz cerca de seis a oito meses que a nova rede estĆ” em funcionamento, e os moradores jĆ” comeƧaram a pagar pelo serviƧo.

Ela lembra que a chegada da Ć”gua tratada e, mais recentemente, a pavimentação da rua foram vitórias importantes: āEssa pista era um desejo antigo. Antes, para pegar o Ć“nibus, a gente tinha que ir lĆ” na entrada da Estrutural. Agora a parada estĆ” perto do antigo lixĆ£o. Para quem tem filho na escola, isso faz muita diferenƧaā.
Viver na informalidade traz consequĆŖncias graves. Assim relata a dona de casa TĆ¢nia Medeiros, 47: āFoi muito complicado esse tempo. A gente vivia no āgatoā, na lama, enfrentando doenƧas. Eu mesma jĆ” tive dengue seis vezes, porque precisĆ”vamos armazenar Ć”gua em tambores. A Ć”gua nĆ£o subia pro chuveiro, a torneira tinha que ser bem baixinha, e Ć s vezes a gente passava atĆ© oito dias sem Ć”guaā.
Com a chegada do programa Ćgua Legal, a realidade de TĆ¢nia comeƧou a mudar. āHoje esse problema foi resolvido. A minha rua foi a primeira a receber Ć”gua, e jĆ” tem mais de um ano. Agora a gente paga, sim, mas tem Ć”gua sempre que precisa. Prefiro assim, dentro da legalidade, com seguranƧaā, elogia.

Ela comemora tambĆ©m a transformação na mobilidade: āEssa rua de mĆ£o dupla vai ser uma maravilha, tanto pros Ć“nibus escolares quanto para os Ć“nibus convencionais que devem comeƧar a circular aqui. A gente Ć© de uma das quadras que mais sofre preconceito. EntĆ£o, ver essas melhorias Ć© como vencer uma luta, Ć© muito gratificante.ā
Bairro Santa Luzia
O programa Ćgua Legal constrói redes de abastecimento em comunidades carentes. A Caesb estĆ” Ć frente tambĆ©m do projeto de saneamento integrado do bairro Santa Luzia, na Estrutural, que terĆ” infraestrutura de rede de Ć”gua, esgoto e energia elĆ©trica e sistemas de drenagem e de coleta de lixo. SerĆ£o investidos R$ 85 milhƵes, com a aprovação no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Seleção), para beneficiar cerca de 20 mil pessoas.
Além disso, este GDF vai investir R$ 274 milhões para levar saneamento ao bairro Santa Luzia e ampliar a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Recanto das Emas. Somente em Santa Luzia, serão aplicados R$ 80 milhões.
Adesão ao programa
Para aderir ao programa, os moradores devem apresentar documentos pessoais (RG e CPF) e preencher o Termo de Solicitação de Serviços (TSS), que funciona como contrato com a Caesb. O morador pode financiar a taxa de primeira de ligação em oito parcelas sem juros, na conta de Ôgua.
Quem participa do programa paga pela Ôgua que consome, mas a tarifa é reduzida para os que estão inscritos nos programas sociais do GDF.
Por Karol Ribeiro, da AgĆŖncia BrasĆlia | Edição: DĆ©bora Cronemberger
